SER POETA

Tingida de sonhos as noites me vêm
com  asas quimeras do meu querubim:
em vôo, de repente, descubro no além
os versos perdidos, num vago confim.

Abraço esses traços e junto também
os dogmas impostos às vidas e assim
vou destro na fonte e me torno refém
das bravas mazelas grudadas em mim.

No horto sagrado, sem vidas, estão
os versos trazidos, iguais a um buquê
de flores morridas, ornando o jardim.

E junto das folhas, aos ventos se vão
comigo a magia dos sonhos porque
eu sou um poeta das sombras ao fim.

(Ari Santos de Campos)

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