Poema Livre

          DIVINA FADA 

Às vezes me sinto perdido,
feito, da vida, um bandido,
ao longe, sempre a clamar…
Meu grito não mais ecoa,
sou do mundo uma pessoa
com tristezas de matar!

Eu já nem sei quanto tempo
que de sonhos te contemplo,
querendo tê-la e amar!
– Agora rezo e suplico,
e digo: aqui eu não fico
porque não é meu lugar.  

Um dia desses, quem sabe,
se não morrer de saudade,
eu não me jogue em teu mar?
E lá, descontrolado te vejo,
te abraço, roubo o teu beijo
ao livre léu do luar!… 

Desfaço então os tormentos,
mando tudo para os ventos
levarem a outro lugar…
– Mas no poente, maldigo,
hei de cumprir meu castigo
nas ondas bravas do mar. 

Mas, se morrer te persigo
sem medo, nenhum perigo,
onde quer, vou te encontrar!…
Então descubro o teu mundo,
abraço-te e num segundo
vou bailando sem parar… 

E nesse baile eu prossigo,
Divina Fada, contigo
vou bailando sobre mar… 

             (Ari Santos de Campos)                            

 

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