OH PAI, ME LEVAI !

Eu quero apagar, tira-lo da mente,
o vulto da cena visto em um dia:
do luto o meu choro, tão comovente
que a fala esmorece e a voz balbucia.

O povo aparece e por conseqüente,
faz a procissão, com “Ave-Maria”,
prossegue nas ruas, tendo na frente,
a cruz e um esquife entre a romaria.

E junto ao cortejo, no campo-santo,
se seguem gemidos com emoção…
e aos prantos sepultam meu pobre pai.

A terra sem seiva destroça o encanto
da vida que torna ao pó deste chão…
então eu vos peço: oh pai, me levai!…

(Ari Santos de Campos)

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