Édison D’Ávila

Edison D’Avila é professor universitário, escritor, poeta e poeta trovador, membro fundador da UBT de Itajaí, onde participa efetivamente com seus trabalhos e belas poesias trovadorescas.

 

Perfil

Professor há mais de 25 anos, historiador, mestre  em História, Ex-Secretário de Educação e Cultura de Itajaí, atualmente   Diretor do Colégio Fayal.Um   currículo de dar inveja a muitas pessoas.Filho e   neto de estivadores o Prof. Edison sempre se dedicou a escutar e registrar a   história de Itajaí.

                                                                                            Melissa Aragão – matéria feita no ano de 2005

 

Melissa – Como começou o interesse do senhor pela história?
Edison – Eu nasci em uma família onde a memória e as lembranças sempre foram trabalhadas. Eu ouvia meus avós e tios conversando, interferia, fazia perguntas. Sempre fomos uma família aberta, aprendi muito com isso. Das histórias sobre a antiga Itajaí eu fui criando interesse, comecei então a escrever artigos para o Jornal do Povo e assim foi.
Melissa – Mas antes de ser historiador o senhor já era professor, não é?
Edison – Sim. Comecei a lecionar em 1967. Sou da primeira turma do Curso Superior de Letras da primeira faculdade de Itajaí. Nesta época não era Univali nem FEPEVI ainda. Só depois que fui fazer o Mestrado em História, mas sempre declinei para esta área.

Melissa – O senhor foi Secretário de Educação por três vezes, foi Secretário de Cultura, e ainda assim não largou a sala de aula?
Edison – Não largo mesmo. Eu adoro lecionar, adoro as salas de aula e meus alunos. Mesmo que agora eu tenha pouco tempo para isto porque assumi há mais de dois anos a direção do Colégio Fayal. Foi um desafio, eu jamais tinha sido gestor antes. Mas estou muito contente com o trabalho aqui realizado.

Melissa – O senhor pretende voltar para algum cargo na Administração Pública?
Edison – Não, de jeito nenhum. Eu trabalhei com o ex-prefeito Jandir Bellini porque gostava muito dele, mas não pretendo voltar para a vida pública não. A visão da política de que tudo tem que ser feito em 4 anos é descabida para a educação. Quando se fala em educação o trabalho é a longo prazo e os administradores e o povo muitas vezes não entendem isto. Além disso, uma coisa me incomoda muito na política, o fato de que cada troca de administração é feito um novo começo, como reinventar a roda. É como se o que a administração passada realizou não tivesse valor algum. Eu não concordo com isto.

Melissa – Como historiador e pesquisador da história de Itajaí, qual fato que marca mais o senhor?
Edison – O que me fascina muito é a origem da cidade. Lá pela década de 20 a cidade estava envolvida em um sentimento de desânimo porque acreditava-se que não teria muito o que se crescer aqui. Neste tempo Blumenau, Brusque e Joinville se desenvolviam com as grandes indústrias. Já Itajaí, muitos daqui, acreditavam que o porto não se desenvolveria muito, que o crescimento estava estagnado. Mas veio para cá uma pessoa que acreditou na cidade, um empreendedor chamado Agostinho Alves Ramos. Agostinho fez a população perceber que deveria aproveitar o potencial do porto, explorar suas atividades e qualificar mão-de-obra. Esta visão avançada para a época fez com que Itajaí começasse a crescer e se tornasse a cidade próspera que é hoje. Acho este fato fascinante!

Melissa – O senhor é elogiado como uma das pessoas mais inteligentes e cultas da cidade. Como faz para se manter informado?
Edison – Eu tento manter uma disciplina e me focar no que estou trabalhando. Sou extremamente exigente comigo mesmo. Todos os dias leio três jornais, um local, um estadual e outro nacional. Também leio muito, sou um leitor voraz, nunca estou sem ler algum livro.

Melissa – O que o senhor mais gosta de fazer quando não está no trabalho?
Edison – Eu adoro ler. Me faz relaxar e esquecer o estresse.

Melissa – O senhor já escreveu alguns livros. Está no momento trabalhando em alguma nova obra?
Edison – Sim, mas ainda estou no começo. Estou pesquisando sobre o movimento cultural dos anos 70 e 80 a partir da ação de Nóbrega Fontes, o criador dos festivais de inverno. Estou colhendo depoimentos no momento, não comecei a escrever o livro ainda.