A Casa Caiu

Na casa quimera eu sou mais feliz:
– lá canto com ela a nossa canção
e gosto do canto, assim como fiz,
ouvindo com tino o meu coração.

No canto da vida, que me condiz,
há paz que apazigua, como pendão,
o belo viver – amores febris –
que a vida apetece, com a paixão.

Mas hoje é lembrança, feito fabela:
meu canto calou e a luz sucumbiu
ao lume da vida, da face tão bela!

No cume da dor, sem vida partiu…
Então neste chão – à luz da mazela,
vivendo sem ela – a casa caiu.

(Ari Santos de Campos)

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